quinta-feira, 31 de maio de 2012

Como Mães Funcionam – Guia Prático Parte I



         Escrevi esse texto para ajudar filhos e filhas a entender suas Mães. Espero que seja útil! 
                                                                        Adriana - Maio 2012.

       Mães são espécimes complexos do reino humano, mas alguns detalhes de seu funcionamento básico podem ser úteis para filhos e filhas de todas as idades.

1º. Sistema da Intuição
       Mães possuem um sistema interno que é imediatamente ativado quando o filho nasce. Esse sistema é denominado de ‘Intuição’. Ele está presente em todos os membros femininos do reino humano, mas nas Mães ele funciona em sua ativação plena. Dessa forma elas conseguem antecipar eventos, ler pensamentos, descobrir segredos, entre outras habilidades.
       Formas de lidar com o Sistema da Intuição: primeiramente, entender que ele existe e não pode ser desativado. Portanto, a melhor estratégia é contar a verdade. Até porque esse sistema é autoprogramado para aumentar sua potência nos casos em que o filho conta alguma mentira. Para as Mães é importantíssimo que o sistema da Intuição funcione 100% e elas farão de tudo para alcançar esse objetivo.

2º. Complemento do Sistema da Intuição: Chip de Proteção
       Mães querem sempre proteger seus filhos de todos os problemas e dificuldades que eles possam passar. Como as possibilidades de risco na vida são ilimitadas, essa atitude de proteção, nas Mães, também se manifesta de forma ilimitada. Conjugada com o sistema de ‘Intuição’, a necessidade de proteção pode ser elevada a potências inimagináveis.
       Formas de lidar com o complemento Proteção: Como esse é um sistema complementar, as orientações são as mesmas daquelas mencionadas no Sistema Intuição.

3º. Sistema de Alarme Interno com Imagens Projetivas Holográficas de Última Geração
       Mães possuem um sistema de alarme interno que funciona segundo padrões bem definidos. Assim que o filho ou a filha sai de casa sem a presença dos pais (seja para ir à casa de amigos, para um passeio na praia ou para uma balada à noite) o relógio acoplado ao sistema de alarme começa a sua contagem regressiva.
       O horário final desse cronômetro é o horário de chegada do filho em casa. Esse horário tanto pode ser combinado quanto pode ser autoprogramado. De qualquer forma, 05 minutos antes do horário final ser alcançado, a luz do alarme se acende e a Mãe começa a ficar preocupada. Quando o horário final chega, o alarme dispara e desce, diante da Mãe, uma grande tela na qual são projetas as cenas holográficas de última geração com as imagens mais fortes e impressionantes que se possa imaginar: acidentes, sequestros, violências de todas as ordens, lesões gravíssimas...
       Atenção: Todas as Mães são programadas para assistirem a essas projeções o que, obviamente, as deixa muito ansiosas e angustiadas. O resultado desse sistema de projeção varia de Mãe para Mãe: algumas começam a ligar desesperadamente para o celular dos filhos, outras saem de casa perambulando em busca de seus amados filhotes, há aquelas que ficam na sala de casa contando os minutos... Mas todas elas, depois que o sistema de alarme interno é ativado, ficam em um estado emocional que beira o desespero.
       Formas de desativar o Sistema de Alarme Interno: Existem duas formas de desativar esse sistema de alarme interno:
       A melhor forma de desativação é chegar em casa no horário combinado. Se você quiser ganhar um upgrade, é conveniente voltar para casa nos cinco minutos ANTES de o alarme disparar.
       Caso você não possa – ou não queira – cumprir o horário combinado, é imprescindível que você ligue para casa e converse com sua Mãe nos cinco minutos ANTES de o alarme disparar. Nessa conversa, explique para ela os motivos pelos quais você irá se atrasar e tente combinar um novo horário de retorno para casa. O resultado imediato desse novo acordo é que o Sistema de Alarme Interno será reiniciado e o cronômetro a ele acoplado irá iniciar nova contagem regressiva.

4º. Scanner de Alta Definição
       Apesar de todo o avanço tecnológico da ciência, ainda não foi detectado que as Mães possuem, acoplado ao globo ocular, um scanner de alta definição que é utilizado todas as vezes que o filho volta para casa. Esse scanner é ativado assim que a porta de casa se abre e, em questões de segundos, verifica o estado geral do filho: mapeia fisicamente o filho desde sua cabeça até seus pés e busca encontrar qualquer indício de problema. Em seguida o scanner faz uma varredura emocional, buscando sinais que apontem alguma forma de padrão emocional disfuncional: tristeza, euforia, sinais de bebida ou de drogas, entre outros aspectos.
       Formas de desativar o Scanner: Ainda não foram encontradas formas de desativar esse scanner.



domingo, 13 de maio de 2012

Dia das Mães


Domingo é o dia das mães. De todas as mães. Mas, principalmente, das “mães más”.

Explico: as “mães más” são aquelas que encontraram o ponto de equilíbrio entre as “mães-amiguinhas” e as “mães cruéis”. As primeiras, pela tendência que possuem de querer ser ‘as grandes amigas’ dos filhos, deveriam aguardar para ser homenageadas no dia do amigo, em julho. Já as últimas, que fazem da maternidade uma forma de descarregar seus impulsos agressivos e sádicos, poderiam aproveitar para refletir sobre sua maneira de expressar amor. Afinal, todas as mães sabem que a maternidade envolve conjugar o verbo amar.

As “mães más” estão por toda a parte. Elas são más aos olhos dos filhos que, como espíritos livres, querem sair pelo mundo fazendo o que bem entendem desde a mais tenra idade. Filhos que nascem sem saber que o outro co-existe no mesmo espaço que ele e merece o mesmo respeito e atenção. “Mães más” colocam limites, fazem as regras serem respeitadas, fazem questão de relações justas em casa e fora dela, fazem da sua vida exemplo a ser seguido. Elas educam para a vida.

As “mães más” buscam, por meio da maternidade, contribuir para um mundo melhor onde palavras como respeito, honestidade, polidez, generosidade, são muito mais do que belas palavras de um dicionário. Elas ensinam seus filhos a colocar em prática esses valores, não para benefício só deles, mas para o bem de todos. Em poucas palavras, elas ensinam seus filhos a ser éticos: a saber que os outros existem não para satisfazer as nossas necessidades, mas para ser parceiros na jornada da vida. Essas mães tem a incrível capacidade de saber que o filho da outra mãe é, também ele, um filho – e o respeitam como um ser tão precioso quanto o filho que ela gerou.

As “mães- amiguinhas” tem olhos só para os seus. Enchem de amor e carinho a sua prole, cuidam com esmero dos seus pequenos e, ao menor sinal de desgosto dos filhos, movem mundos e fundos para satisfazê-los.  Não querem que seus filhos sofram e, com isso, criam pequenos tiranos. Consideram importante serem as melhores amigas dos seus filhos e acabam deixando de servir de referência moral e afetiva. Tornam-se ‘iguais’. Porém, não aprendemos com os iguais, aprendemos com quem sabe mais do que nós.

Já as “mães cruéis” estão distantes dos seus filhos. Uma distância emocional que faz com que elas abandonem aqueles que precisam dos seus cuidados, maltratem aqueles que precisam de sua proteção, desqualifiquem os que buscam sua orientação moral.

Ser mãe é um grande desafio: estamos sempre buscando encontrar o ponto de equilíbrio entre os extremos da “mãe-amiguinha” e da “mãe cruel”. As “mães más” sabem que esse equilíbrio é sutil, mas vale a pena. Vale a pena dizer ‘não’ para proteger um filho, vale a pena ensiná-lo a lidar com as frustrações, vale a pena servir de exemplo. Que nesse dia das mães possamos parabenizar essas mulheres que, no trabalho diário de conjugar o verbo amar, sabem que precisam ser más para ajudar seus filhos a serem cidadãos de bem.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AGORA, ENQUANTO É TEMPO...



            Tento escrever um texto. Meu filho de 1 ano e meio está ao lado da mesa, na ponta dos pés, buscando de todas as forma possíveis me ajudar a digitar algumas palavras. Puxo o teclado para mais longe dele. Isso parece funcionar. Ele vai brincar e eu volto ao meu texto – por pouco tempo.
            Ele vem com os seus livros de estórias e puxa a cadeira onde nos sentamos para ler. Vem para o meu lado e me puxa pela perna. “Eu não posso agora. Você sabe as estórias de cor e salteado. Pegue os livros e veja as figuras. Eu tenho que terminar este texto”. Ele sai meio decepcionado. Abre os livros e começa a apontar as figuras. Eu tento resgatar as idéias para o texto... Ah, não! Lá fora as vacas começam a mugir! E lá vem o pequeno, apontando a janela e gritando “buu, buu”. Tenta escalar as minhas pernas. Eu o coloco no colo e vamos ver os “buus” pastando. Acreditem: nós ficamos realmente vendo os “buus”. Eu, com o texto pela metade, não posso acreditar que estamos vendo “buus” fazerem nada. Meu filho percebe minha distração e, para me lembrar do óbvio, estica o bracinho e fala “buu, mamã, buu...”. “Sim, esses são os buus, mas eu tenho que terminar o meu texto”. Voltamos para a sala. Eu, para o texto; ele, para o chão.
            Ele sai da sala e volta com o tênis na mão. Era só o que faltava! Querer passear justo agora! E passear quer dizer que vamos andar um pouco, ele vai querer que eu pegue a folha em forma de estrela para ele andar com ela na mão. Vamos ter que parar a cada queda da folha para pegá-la novamente e prosseguir caminho. Até que ele se cansará de andar, vai querer colo e, no caminho de volta para casa, vai acabar dormindo. “Não, é muito longo esse passeio e eu tenho um importante texto para escrever”.
            Ele se senta no chão. Quando eu o vejo de novo, há duas lágrimas coladas no seu rosto. Nesse momento eu vejo as coisas como Deus as deve ver: em perspectiva. Vejo um menininho chorando porque eu não tenho tempo para ele. Imaginem alguém ser tão importante para outro ser humano!
            Antevejo o dia em que não representará tanta coisa para uma pessoinha o fato de eu estar sentada ao seu lado, lendo uma estória que pouco significa para qualquer um de nós, mas compreendendo, de alguma forma, que o fato de estarmos sentados um junto do outro é que representa tudo.
            Por um instante percebo que ele e eu temos bem poucos dias como este para compartilhar. O texto pode esperar! “Filho, vamos passear?” 
            Tenho que aproveitar agora mesmo – enquanto os “buus” ainda são maravilhosos, antes que as folhas deixem de ser troféus e sejam esquecidas no chão e enquanto o meu colo ainda é um lugar muito gostoso para se dormir.

Esse texto foi escrito em 1999. O tempo passou e eu posso afirmar que valeu a pena colocar em primeiro lugar as pessoas importantes na minha vida. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Uma boa dica para o início das aulas

As férias estão chegando ao fim e, a partir da semana que vem, nossos filhos retomam sua rotina escolar. E, para ajudar pais, alunos e professores, já estão disponíveis no you tube a tradução de algumas aulas da Khan Academy.

Essa é uma iniciativa de Salman Khan que, quando trabalhava no mercado financeiro, resolveu ajudar os primos em seus deveres de casa. Como moravam em diferentes estados, ele postava no you tube a explicação das matérias que os primos tinham dificuldade. Aos poucos as suas "aulas" foram sendo acessadas por outras pessoas que começaram a postar comentários elogiando a iniciativa. Em pouco tempo, eram os professores que postavam comentários dizendo que os seus vídeos estavam servindo de facilitadores do aprendizado em sala de aula.

Salman Khan saiu da empresa e resolveu se dedicar ao empreendimento de ajudar as crianças a aprenderem as lições de casa. Quando Bill Gates descobriu essa ideia, começou a ajudar seus filhos por meio dos vídeos e acabou investindo no que hoje é conhecido como Khan Academy.

No site oficial estão mais de 2700 aulas sobre todos os temas. As pessoas assistem aos vídeos explicativos e podem resolver problemas. O esquema funciona no estilo jogos online: você acumula pontos e passa de fase. Cada fase tem uma explicação e um desafio. Com isso a pessoa vai desenvolvendo habilidades para resolver problemas ou responder questões.

A Fundação Lemann, em parceria com a Intel, traduziram alguns desses vídeos que estão disponíveis no you tube. Vale a pena conferir - pais e filhos vão se divertir juntos e aprender muito. Bom divertimento!

Esse texto também foi publicado no site da CBN Vitória no dia 27/01/2012

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Onde está 2012?

Para todo lugar que olhamos as mensagens de Feliz 2012 aparecem. Mas, onde está 2012? Esta pergunta me conduziu a uma pequena história, um conto de Ano Novo que surgiu em meu coração e que compartilho com vocês.

Ele começa assim:

Caminhando por uma longa estrada, Mestre e discípulo admiram a paisagem. O Mestre segue em silêncio, o discípulo, conversa com seus pensamentos.

A certa altura da estrada, param debaixo de uma grande árvore para descansar e comer algo. Neste momento, sementes da árvore começam a cair. O Mestre pega uma delas em suas mãos, vira-se para o discípulo e diz:

- Feliz Ano Novo!

- Onde está o Ano Novo, Mestre?

- Ele está em minhas mãos.

- Como assim... como pode ser que 365 dias caibam na palma de uma mão?

- Da mesma forma que uma floresta inteira cabe em uma semente. Cada semente produz uma árvore. E cada árvore produz várias sementes, cada uma com o potencial de produzir árvores. Assim, cada semente contém, em si mesma, uma floresta.

- Mas, o Ano Novo é uma semente?

- A Vida nos presenteia com sementes. 2012 é uma semente: dentro dela estão guardadas muitas possibilidades. Cabe a você cuidar para que esta semente cresça e floresça...

O discípulo, então, entendeu a lição.
Antes de se levantarem para seguir viagem, ele pegou várias sementes da grande árvore. E, durante a caminhada que fez ao lado do Mestre, foi entregando para cada pessoa que encontrava no caminho, uma semente. E, ao entregá-la, dizia: “Feliz Ano Novo!”.


Envolvida nesta certeza de que o Ano Novo é uma semente cheia de possibilidades eu desejo que sua semente germine e que você possa colher os frutos mais especiais que a Vida lhe tem reservado.

Com carinho,
Adriana

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Desafio de Natal

        Nestes dias que antecedem o Natal, todos nós estamos envolvidos em conjugar o verbo presentear. Saímos às compras buscando formas de expressar nosso carinho e afeto pelas pessoas que nos são queridas. Mas, como bem disse uma pessoa que atendo, também precisamos nos lembrar do aniversariante do dia. Um místico poeta cristão do século XVII disse: “Nasça Cristo mil vezes em Belém e não em teu coração: estás perdido para o além, nasceste em vão.” (Angelus Silesius).
        A Psicologia nos ensina que o melhor solo para ocorrer o desenvolvimento moral é aquele em que os valores mais nobres do ser humano são colocados em prática e onde existe qualidade nas relações. Isto me levou a propor às pessoas que me procuram no consultório o que chamei de ‘Desafio de Natal’. Acontece da seguinte forma: você deve definir, em seu coração, uma forma de presentear Jesus e, no dia do Natal, colocar sua ideia em prática.
        Assim como acontece com os outros tipos de presentes, são várias as possibilidades de escolha. Listo aqui algumas:
- Dizer palavras carinhosas: um ótimo ‘Desafio de Natal’ para aquelas pessoas que costumam apontar as falhas alheias. Trocar as palavras críticas por elogios suaves e carinhosos pode ser uma bela forma de presentear as pessoas com as quais se convive.
- Manter a tranquilidade: em meio a toda esta agitação de final de ano, que tal colocar em prática o ‘Desafio de Natal’ de manter a paz e a traquilidade? Segundo relatado na Bíblia, Jesus nasceu em uma noite calma – e, certamente, todos nós sabemos o quanto o nosso mundo precisa de paz e mansidão! Este é um presente muito necessário nos dias de hoje.
- Colocar em prática alguma virtude que você considera importante: a lista é grande, com opções de A a Z: alegria, bondade, cuidado... gentileza, honestidade... polidez... zelo. Escolha uma como ‘Desafio de Natal’ e, no dia 25/12 faça o esforço de ser um portador desta virtude. 
- Criar momentos de perdão: a grande dificuldade em perdoar está na crença de que o perdão deve acontecer de forma integral. Mas, e se a gente se permitisse, ao menos neste dia de Natal, abrir espaço para ‘momentos de perdão’? Pode ser algumas horas, uma parte do dia ou ate o dia inteiro – mas será um momento em que deixaremos o perdão fazer parte da nossa vida e intermediar nossas relações. Um belo “Desafio de Natal’!
        Não sei até que ponto os cardiologistas concordam, mas do ponto de vista psicológico, presentear faz bem ao coração. Faz a gente se sentir leve, feliz, satisfeito. E, se você prestar atenção poderá sentir, ao realizar o Desafio de Natal, o abraço do aniversariante lhe agradecendo pelo presente. Neste momento não se surpreenda se você perceber que o maior presenteado é você!
        Feliz Natal! Feliz Dia de Jesus!

(Texto publicado no site da CBN Vitória em 22/12/11)

sábado, 5 de novembro de 2011

Para onde foram as cegonhas? (ou, como tratar sobre o nascimento em pleno século XXI?)

     Houve um tempo, não muito distante, em que as crianças vinham ao mundo carregadas, gentilmente, nos bicos das cegonhas. Por algum motivo que escapa à lógica infantil, as cegonhas nunca eram vistas, mas existiam e cumpriam sua missão. Sua presença ajudava adultos e crianças a enfrentar um desafio que ainda continua bem atual: responder aos questionamentos infantis.

– “De onde vem os bebês?”
– “São as cegonhas que os trazem”
    
      E lá ia a criança sentar-se na varanda e passar longos períodos vigiando o céu em busca de um sinal deste pássaro desconhecido e tão cheio de magia.
    
      O tempo passou, algum vento soprou e as cegonhas desapareceram. Mas as perguntas infantis continuaram bem presentes e, com elas, a dúvida sobre como tratar sobre o tema do nascimento dos bebês em pleno século XXI. Aliás, um tempo no qual até mesmo as formas de concepção ampliaram: bebês de proveta, gravidez assistida, barriga de aluguel, doação de esperma, de óvulo, de embrião... As coisas pareciam mais simples na época das cegonhas!
    
      Responder às perguntas das crianças não é tão difícil quanto parece. Primeiro devemos ter em mente que uma pergunta só é formulada quando a pessoa consegue coordenar informações e sente falta de alguns dados para concluir seu pensamento. Em outras palavras, quando a criança faz uma pergunta , ela já tem alguma hipótese sobre a resposta – somente busca confirmar seu raciocínio.
    
      Outro ponto importante é que o raciocínio muda na medida em que a criança cresce – e a resposta deve estar adequada à sua idade e compreensão. Para as menores (até os 4 anos) mostrar fotos da mãe grávida e dizer que saiu da barriga da mamãe ou, no caso de adoção, dizer que nasceu do coração é uma resposta adequada que costuma ser aceita sem maiores questionamentos.

     Já as crianças entre 6 e 8 anos começam a elaborar seu raciocínio e precisam que lhes seja esclarecido o ‘como’ .Nestas situações, vale a dica: antes de responder, pergunte o que ela acha. Desta forma você saberá qual é a teoria da criança e poderá organizar melhor a informação geral. Isto serve para não ficarmos nos estendendo demais sobre um assunto que não interessa à criança.

     Finalmente, a partir dos 10 anos os detalhes sobre o corpo humano e sobre o ato sexual começam a ser descobertos e a melhor forma é responder às perguntas de forma direta, dando a versão correta dos fatos e esclarecendo sobre precauções e atitudes seguras. Esta postura aberta e franca possibilita que os filhos percebam que podem esclarecer suas dúvidas com seus pais ao invés de buscarem informações com os colegas ou com estranhos.

     Agindo assim, conseguimos responder às perguntas de forma adequada a cada idade e permitimos que as cegonhas continuem aproveitando sua aposentadoria junto com o Papai Noel, o coelhinho da Páscoa, os Príncipes e as Princesas e tantos outros personagens encantados.

 (Artigo publicado no site da CBN Vitória e no Gazeta online em 29 de setembro de 2011)