quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Novo Medicamento

Quanta dificuldade para os pais de hoje conseguir conciliar o trabalho com a tarefa de ser um pai afetuoso, participativo e presente na vida dos filhos!
Pensando nisto, nós dos Laboratórios Müller - aquele da carinha feliz! - desenvolvemos um novo medicamento para auxiliar os pais modernos a melhor desempenhar este papel tão importante para a humanidade.

Laboratórios MJller

AFETOCITINA PATERNA
Comprimidos mastigáveis

COMPOSIÇÃO:
Cada comprimido mastigável contém:
Amor ............................................................. Sempre
Veículo q.s.p. (quantidade suficiente para) ...... 70 muito
Paciência, Alegria, Cuidado, Sabedoria, Flexibilidade, Compreensão, Autoridade, Sentimentos positivos, Esperança, Atenção,Persistência, Criatividade, Pureza.

INFORMAÇÕES:
A Afetocitina Paterna pode ser ministrada a partir da constatação da gravidez.
Esse medicamento, apesar de indicado para os pais, pode ser mantido ao alcance das crianças.

INDICAÇÕES:
Este medicamento é indicado em todos os casos nos quais os homens se tornam pais, para estimular a interação com os filhos, a presença paterna em suas vidas, o fortalecimento de vínculos estáveis e a satisfação em ser pai.

“Especialistas advertem: ser pai é importante para o desenvolvimento infantil” (Hennigen, I, 2010).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ética para todos

     Acabo de ler o último livro do Yves de La Taille: Ética para meus pais. Um livro de fácil leitura já que a narrativa é feita do ponto de vista de um menino pequeno, de idade indefinida, membro de uma família que bem poderia ser a minha ou a sua (pai, mãe, uma irmã de 16 anos, avô, avó...). Uma leitura fácil, porém profunda justamente porque lança luz sobre nossas atitudes mais costumeiras nos alertando para o tipo de exemplo que passamos para as crianças ao nosso redor. Porque a educação em valores acontece muito mais por meio de exemplos do que por belos discursos ou boas intenções. E, neste ponto, o livro nos serve de espelho e de alerta sobre as nossas ações diárias nas filas, no trânsito, na hora das refeições, nos encontros familiares, nas viagens, no uso do celular, entre outras situações cotidianas.
     Um convite para que pensemos mais sobre o nosso papel de educadores, sobre o quanto de coerência existe entre o que pensamos e como agimos, sobre quais valores estamos enfatizando em nossos relacionamentos - valores morais (justiça, generosidade, dignidade, respeito...) ou não-morais (poder, fama, dinheiro, beleza...).
     Certa vez uma propaganda nos fazia o seguinte questionamento: "Que mundo queremos para nossos filhos? E que filhos queremos para nosso mundo?" Certamente uma pergunta que merece reflexão e, principalmente, ação. O livro 'Ética para meus pais' pode clarear um pouco este caminho de busca de um mundo em que a ética seja para todos.

sábado, 30 de abril de 2011

Será que precisamos de uma lei antibullying?

Para responder a esta questão, convido o leitor para uma pequena viagem ao início dos anos 80, na Noruega. Foi lá que o psicólogo Dan Olweus cunhou o termo bullying, referindo-se às humilhações violentadoras recorrentes ocorridas no espaço escolar. Tais atitudes já aconteciam há tempos, dentro e fora dos muros das escolas – e assim continua até os dias atuais. A diferença é que elas passaram a ter nome e a ser motivo de estudos. Após anos de estudos e baseado em milhares de entrevistas, Olweus propôs, não uma legislação antibullying, mas uma intervenção antibullying, envolvendo a sociedade de forma ampla e buscando alcançar dois objetivos básicos: desfazer mitos e ideias erradas sobre o bullying e promover apoio e proteção às vítimas.
Assim, retomo aqui a pergunta inicial: Precisamos de uma lei para isso? As leis já existem, afinal as agressões que ocorrem nas escolas também ocorrem fora dela: agressão física, desacato, assédio moral, assédio sexual, preconceito, roubo, entre outras. As leis existem e são importantes para preservar o senso de obrigatoriedade, as noções de igualdade e equidade, o valor da justiça. Sem dúvida, em tempos de analfabetismo moral, em que as pessoas não sabem mais quais valores regem suas vidas ou a sociedade, é fundamental que as leis nos guiem. Mas elas regem as situações de fora e são aplicáveis depois que o ato foi cometido. Nas situações como a de Realengo precisamos saber antecipar. Cada um de nós precisa parar e pensar: Será que temos que tratar as coisas depois que elas acontecem ou podemos encontrar forma de tratá-las antes que aconteçam? Qual exemplo de vida eu tenho sido para todas as crianças com as quais convivo? É importante evitar que o mal entre nas escolas, nas igrejas, nos ambientes sociais, mas será que conseguiremos pensar formas de evitar que o mal entre nas pessoas? Se a gente não parar agora para pensar nesses pontos, quando vamos pensar? A situação de Realengo provocou uma grande mancha na nossa alma nacional e causou muita dor. Precisamos refletir sobre as coisas que realmente são importantes: como fazer para mudar este cenário? Contribuo aqui com três atitudes. Obviamente existem outras mais, por isso, convido cada leitor a fazer a sua reflexão.
A primeira atitude que proponho é aprender a ver. Sabemos ver os nossos filhos? Sabemos ver nossos alunos, nossas crianças, nossos adolescentes? Ou apenas olhamos. Olhamos como quem passa os olhos vagos, desinteressados, desinformados – simplesmente observando.  A gente precisa aprender a ver – ver os comportamentos, ver os olhos, a entender o que estamos vendo. Sem olhos de ver, tudo passará despercebido – o bom e o ruim, tudo.
A segunda atitude é aprender a dialogar. Precisamos urgentemente aprender a conjugar simultaneamente três verbos: falar, ouvir e acordar. Falar de forma clara aquilo que pensamos, ouvir as opiniões e as reflexões das outras pessoas e entrar em acordos, transformando as diferenças em soluções conjuntas. Sem o diálogo há somente imposição, visão unilateral, desrespeito ao ponto de vista do outro.
A terceira atitude é proteger nossos filhos. É função dos adultos proteger as crianças e garantir que elas convivam em ambientes que estimulem relações sociais de qualidade. Isso implica, necessariamente, reforçar nas crianças o valor do respeito, da dignidade, da justiça, da generosidade, da vida, do outro. Isso precisa ser ensinado, resgatado, fortalecido no nosso dia a dia. Sem valores perdemos o norte, não sabemos para onde ir. Precisamos ajudar nossas crianças a construírem suas identidades baseadas em valores morais, caso contrário a lista de Realengo poderá continuar aumentando.
Está na hora de acordar. Que essa dor que todos sofremos enquanto brasileiros possa servir para que a gente reflita, busque soluções, se comprometa, perceba que a resposta está na atitude de cada um de nós. Nossa sociedade não vive sem leis – elas são necessárias e importantes. Porém, neste caso, não precisamos de mais leis – precisamos de mais humanidade.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Hoje é Natal - e amanhã também!

      O calendário nos lembra: hoje é dia 25 de dezembro de 2010. É Natal! Dia de confraternizar, de dar presente e de estar presente. Ontem à noite nossos corações se transformaram em manjedouras nas quais Jesus menino nasceu. Há mais de 2000 anos esse momento mágico da história de humanidade é relembrado. Todos os anos festejamos essa data especial, comemoramos esse nascimento - e, depois, a vida volta à sua rotina... Desmontamos a árvore, guardamos os presentes, arrumamos a casa, deixamos o tempo passar.
     Ontem e hoje nos alegramos pelo maior presente que a humanidade já recebeu: Deus nos enviou Seu Filho como presente. Ele nos enviou o Amor encarnado e, com Ele, todos os valores mais sublimes: a Bondade, a Justiça, a Solidariedade, a Misericórdia, a Gratidão, a Amizade, a Honestidade, a Gentileza, Ágape... O sentido de Jesus nascer em nós é fazer com que esses valores supremos tornem-se verdade em nossa existência. É a possibilidade de o mundo ser melhor porque nós nos tornamos pessoas melhores! Isso é Natal: o nascimento do sublime em nós.
     Mas, terá o Amor nascido somente para um dia ou um período da nossa vida? Será que não temos o dever de manter vivos esses valores que hoje habitam nossos corações? Por quanto tempo conseguiremos sustentar esses ideias de Fraternidade, Amor e Paz? Qual o prazo de validade do seu Natal? O mundo que você sonha e quer que exista depende dessa sua resposta.
     Hoje é Natal - e eu lhe desejo muita alegria e comemoração. Mas, lembre-se: amanhã os valores continuarão sendo importantes. Portanto, que amanhã também seja Natal. E depois de amanhã. E depois de depois de amanhã....

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Com o tempo melhora?


Hoje é dia de Finados. Conversei com Thelma Rocha e os ouvintes da Rádio Globo sobre perdas e, durante a conversa, me lembrei desse texto escrito por Maria Marta Pinto Ramos para seu filho Matheus. Resolvi compartilhá-lo aqui, afinal vida e morte convivem em todo Jardim...

"Muita gente, depois de perder alguém querido, escuta, dos outros, frases do tipo:
O tempo cura todas as feridas.
Com o tempo a dor diminui.
O tempo faz a gente esquecer.
Eu também escutei. E, mesmo hoje, já passados nove anos que meu filho morreu, eu não sei se essas frases são verdadeiras.
Certa vez, observando pessoas que, por algum motivo, perderam uma das pernas (ou mesmo as duas), percebi como elas faziam com as muletas.
No começo as muletas machucam, incomodam, ferem as mãos, as axilas. É ruim andar com elas, desequilibram. Elas obrigam quem as usa a inventar um novo passo, um novo jeito de caminhar, dão um ritmo diferente.
As muletas nunca lhes devolverão a perna perdida, mas aos poucos as pessoas vão se adaptar a elas. As muletas vão se tornando parte das pessoas e possibilitam que elas continuem a se locomover e a viver com dignidade.
Com certeza seria muito melhor ter as pernas, mas é preferível usar as muletas do que ficar parado.
Eu penso que, quando a gente perde alguém querido, a vida nos possibilita usar muletas.
Nem de longe essas muletas nos trarão de volta o que perdemos, mas nos possibilitarão continuar nossa caminhada. Certamente serão passos diferentes, outro tipo de equilíbrio e de valorização dos acontecimentos cotidianos, mas daremos conta de seguir em frente, com firmeza e segurança.
Penso que nem mil anos nos fariam esquecer aqueles que amamos muito, ou farão desaparecer a dor e a saudade que sentimos, mas a dor e a saudade poderão se tornar nossas muletas.
No início será mais difícil. Seremos muito machucados por elas, mas com o tempo nos adaptaremos a esse novo modo de continuar a vida e, por mais absurdo que possa parecer, ainda teremos a possibilidade de sermos felizes".

Já que a morte faz parte da vida e é a única certeza que temos, que possamos aprender com ela duas lições importantes: primeiro, a não deixar para depois aquele abraço, aquele carinho, aquele pedido de desculpas, aquele agradecimento... Como diz a música: "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".
E, para aqueles que já viveram essa perda, aprender a seguir em frente, alegrando-se com as boas lembranças que ficaram e honrando a vida de quem foi (e continua sendo) tão especial para nós. 

(Em homenagem à minha filha Priscila, plantei uma árvore, escrevi uma música e falo sobre esse assunto... É assim que a mantenho presente na minha vida. Uma terna, eterna presença em meu Jardim!)


                                               

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

De que matéria-prima são feitos os vencedores?

  
    Que bonito é poder ver um vencedor subir no pódio e receber sua medalha. Mas, engana-se quem pensa que tal feito se resume ao momento da disputa em si. Todos os atletas sabem que as grandes vitórias começam muito antes e envolvem treino, disciplina, perseverança e muita determinação. Precisamos de um pouco dessa matéria-prima de que são feitos os vencedores. Nós precisamos urgentemente disso!
    Nossas vidas são desafios diários que precisamos vencer, mas será que estamos nos preparando para enfrentá-los? Não existe vitória sem suor, crescimento sem esforço, resultado sem dedicação. E para tudo isso é fundamental um projeto de vida: algo que oriente nossos passos em direção à superação de nós mesmos. É assim que pensam os vencedores: seu maior desafio é vencer a si mesmos, buscar a excelência, aperfeiçoar suas próprias técnicas para alcançar objetivos cada vez maiores. Precisamos da matéria-prima de que são feitos os vencedores. Nossa sociedade precisa urgentemente disso!
    Nossas escolas precisam de disciplina – não aquela autoritária que desrespeita o próximo, mas aquela dos atletas que buscam vencer e se aplicam com amor àquilo que acreditam. Nossos hospitais precisam de estrutura, assim como os atletas precisam de condições para desempenhar suas tarefas diárias. Nossas ruas precisam de mais segurança e menos drogas – todo atleta sabe da máxima ‘mente sã em corpo são’ e busca alcançar o melhor de si cuidando de seu corpo e de sua mente. Nossas famílias precisam de paz – aquela mesma que inunda a alma de um campeão quando ele reconhece que fez a sua parte. Nossa sociedade precisa aprender a vibrar porque alcançou seu objetivo - não um objetivo individualista, mas um que seja de todos. Um vencedor sabe que sua vitória teve a colaboração de muitos e suas lágrimas quando vê a bandeira sendo hasteada é a prova de que ele, naquele momento, representa uma nação.
    Precisamos da matéria-prima de que são feitos os vencedores. Você, eu, todos nós. Para, como bem nos ensinou Artur da Távola, aceitar o desafio maior que reside na palavra vencer: Vem-ser! Vem-ser vitorioso. Vem-ser cidadão. Vem-ser família. Vem-ser modelo. Vem-ser melhor!
   E que a singela mensagem de uma vencedora possa ecoar em nossa alma e em nosso coração, nos indicando o caminho: “Sin bora,chega de moleza,hj começo os treinos para a temporada 2011.esse ano foi tuuuudo bem bom com minhas férias prolongadas depois de 15 anos sem parar.alegria!!saudades dos treinos e vai ser muuito bom voltar”. Neymara Carvalho, sete vezes campeã brasileira e pentacampeã mundial de bodyboard. Em 25/10/2010 – meses antes de 2011 sequer ter começado.

Inegavelmente, precisamos da matéria-prima de que são feitos os vencedores!

(Neymara Carvalho é uma amiga. Recebi esse comentário dela hoje à tarde e me emocionei com sua vibração. Em homenagem a ela semeei esse texto no Jardim. )

sábado, 16 de outubro de 2010

Homenagem aos mineiros do Chile

Perséfone, filha de Zeus e da deusa Deméter, possuía uma beleza estonteante e era cortejada por muitos deuses. Porém um dia, enquanto colhia flores, foi raptada por Hades, o deus do mundo subterrâneo, que a levou para morar com ele em seu reino. Lá, Perséfone se tornou rainha, mas sentia falta de sua mãe. Deméter, a deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano, percebendo que sua filha havia sumido, partiu em sua busca. Ao fazer isso, se descuidou de suas tarefas e a terra tornou-se árida, sem vida e houve escassez de alimentos. A tristeza se espalhou até que, finalmente, Deméter descobriu que sua filha estava presa no mundo subterrâneo e faz um acordo com Hades: Perséfone poderia vir à superfície para ficar com seus pais durante 6 meses e, nos outros, voltaria para o interior da terra. E assim aconteceu.

Essa foi a forma que os gregos encontraram para explicar os ciclos das colheitas: quando Perséfone está no mundo subterrâneo, Deméter se entristece e nada produz. Mas, quando sua filha reaparece, a deusa mãe se alegra e gera frutos em abundância. Um belo mito grego, tão velho e tão novo quanto cada estação do ano. Tão antigo e tão recente quanto toda primavera.

Tão atual quanto esse ano: 2010. Também na primavera...
Quinta-feira, dia 05 de agosto. O desabamento em uma mina no Chile bloqueia a passagem que possibilitaria verificar se os mineiros que lá trabalhavam haviam sobrevivido. Perséfone é raptada por Hades.
Domingo, dia 22 de agosto. Uma sonda encontra o local onde os 33 mineiros se abrigaram e descobre-se que todos estavam vivos. Deméter descobre onde sua filha está.
Começa o trabalho de resgate. Deméter vai à busca de sua filha.
Terça-feira, dia 12 de outubro, 23h08. O paramédico Manuel González entra na sonda Fênix e, finalmente, se encontra com o grupo de mineiros. Deméter se encontra com Perséfone.
Quarta-feira, dia 13 de outubro, 0h10. O primeiro mineiro chega à superfície da terra e é recebido por sua família. O mesmo ritual se repete com todos os 33 mineiros. Perséfone volta à superfície. A alegria volta a reinar e as lágrimas molham a terra fecunda. Alguns se ajoelham em oração, outros gritam, todos se emocionam: a vida está de volta. Perséfone renasceu!

Todos os anos, a primavera vem com a mensagem do renascimento. Perséfone volta, Deméter se alegra e as sementes brotam. Mas, nesse ano de 2010, a primavera fez homens brotarem da terra. Tal qual sementes cheias de vida, homens renasceram no acampamento Esperança, em plena primavera. Que todos nós possamos nos lembrar do que o ser humano é capaz de fazer quando se une em prol de um bem comum: somos capazes de irmos às profundezas da terra para fazer com que homens voltem a estar mais perto do céu. E a estar mais perto dos seus.