domingo, 30 de outubro de 2016

Quando o imprevisto acontece, a solidariedade faz a diferença.

Projeto: Férias em Cancun.
Data: 18 de julho de 2016.

Seguimos para o aeroporto Eurico Sales, em Vitória (ES), prontos para dar início às tão sonhadas férias em família. Mala pronta, documentos em mãos, fila para check in enfrentada com a motivação de quem está a algumas horas de chegar ao destino final. Passaportes verificados, mala despachada, cartões de embarque emitidos, fila da inspeção superada, embarcamos rumo a Guarulhos (SP). Chegamos com pequeno atraso, e seguimos direto para o guichê da American Airlines para validar o embarque internacional. Foi onde o imprevisto resolveu entrar em ação. E onde a solidariedade veio ao nosso encontro.

Jackson Carvalho estava do outro lado do balcão e nos recebeu de forma atenciosa. Pegou nossos passaportes para verificar o visto americano já que a primeira escala seria em Miami, e percebeu um detalhe: o visto americano do Alejandro está dentro da validade, no passaporte argentino. Porém, desde 2008, quando ele se naturalizou brasileiro, seu passaporte passou a ser brasileiro. E o governo americano não permite o uso de passaportes de diferentes nacionalidades. Em resumo: Alejandro não poderia seguir viagem, pois não ia conseguir entrar em Miami. Imediatamente, Jackson começou a buscar informações mais seguras com seus superiores, e foi-nos confirmado o impedimento. Ao mesmo tempo, ele tentava encontrar opções viáveis para que a família seguisse viagem. Apesar de toda essa solidariedade, não conseguimos nada que fosse viável e, cercados de desapontamento, solicitamos que a mala fosse retornada. Ele cuidou de todo o procedimento, inclusive nos apresentando ao rapaz que iria nos entregar a bagagem.

Seguimos para a sala da Latam para verificar quais os procedimentos para solucionar nossa situação. Fomos, então, atendidos por Costa que, prontamente entendeu toda a situação e se empenhou em buscar uma solução. Solicitou que aguardássemos e vimos toda a sua dedicação em um ir-e-vir constante. Quase uma hora depois, retornou com as respostas: seríamos levados a um hotel próximo e, na manhã seguinte, voltaríamos para Vitória. Além disso, Costa realizou todo o procedimento de remarcação de novas passagens Vitória X Cancun X Vitória, garantindo, dessa forma, que nosso sonho continuasse viável – um alívio em meio a tantos imprevistos! Em seguida, nos apresentou à Francis que, gentilmente nos acompanhou até o guichê da Latam. Lá fomos atendidos pela Ivete e pelo Villa. Também eles se empenharam em garantir que chegássemos bem ao hotel, com jantar e taxi. Já passava da meia noite, estávamos há mais de 8 horas fora de casa, frustrados com o impedimento de realizar nossas sonhadas férias, com sono, com fome e com frio. A solidariedade de todas essas pessoas, que nos olhavam nos olhos entendendo nossa frustração, que nos sorriam na esperança de que isso acalmasse a decepção, que trabalhavam de forma ágil para que nosso sofrimento terminasse logo, fez toda a diferença.


Jackson Carvalho (American Airlines), Costa, Francis, Ivete e Villa (Latam) são exemplos vivos do poder restaurador da solidariedade. Nenhum deles conseguiu evitar nossa frustração nem aliviar a decepção de ver um sonho ser roubado pelo imprevisto. Mas todos eles nos acalentaram com sua solidariedade e seu empenho em realizar um trabalho em prol do nosso bem-estar. Isso se chama qualidade – qualidade de atendimento, mas, acima de tudo, qualidade de ser humano. A essa equipe de terra nosso muito obrigado! Vocês fazem a diferença. Em terra, e no planeta Terra.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

The Olympic Flame enlightens Vitória, Espírito Santo



     Legend says that the Greek hero Prometheus and his brother were given the task of populate Earth, creating all the species, including humankind. To achieve this aim, they received clay and a certain amount of gifts to be given to each creature. They shaped all the animals, giving each one a singular ability: wings to fly high, claws to grab hard, sharp teeth to fight, shells for protection, the skill to breathe under the water. Furthermore, they also distributed the gifts: courage, speed, strength, accuracy, determination, endurance, etc. At the end of their work, Prometheus took what had been left from the clay, and shaped the last creature: man. He looked at his artwork and was pleased. However, he realized that there was no gift left to be given to this last creature. And, without wings, claws, shell, anything that could protect it, this creature was very vulnerable amongst other beings. How would this last individual stand out? Prometheus was very clever, and found out the answer in a glimpse. He went to the Olympus, the sacred dwelling of gods, stole a flame of their sacred fire and gave it to men. In so doing, he made humanity superior to any other living being: humankind holds Hestia’s fire within.
     The Olympic Games were meant to reveal the full potential of Hestia’s flame in us. When athletes give their best, they fly without wings, they fight without claws, they swim without gills, they show humans’ full power, tailored with courage, determination, resilience, and so many other attributes worthy of the gods from the Olympus.
     Today, the Olympic Flame will be here in Vitória. It will shine on our streets, it will  be held up high in the hands of both great athletes and ordinary people. Because we are all humans and the sacred flame shines within us all! May the Olympic Flame remind us of our ability to shine bright, to do better, to try harder, to overcome our daily limits, to conquer our everyday victory. Hestia’s Flame invites us to reveal, in words, in feelings, in actions, that we are all creatures of the Light! The Flame goes from torch to torch, lighting the next torch without extinguishing its own fire. That is the gift of light: to illuminate any darkness, to multiply when it is divided, to activate others just by standing close, always shinning bright!
    Today, the Olympic Torch, which brings the flame that shines forever, will be on the streets of our city. The Olympic Torch enlightening a place called Victory! May the light that it brings activate the Light within us. That’s the Torch’s message. That’s the Flame’s invitation. That’s the Olympic call. Let’s try harder! Let’s win! We are humans with light within. Let’s shine bright!


This text was written as a homage to some friends that will be conducting the Olympic Flame on the streets of Vitória: Neymara Carvalho, Pierre Almeida and Fábio Luiz. And, also, to honour every person that makes the Olympic Spirit a way of living. People that win the great game of Life overcoming problems with dignity and respect.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Chama Olímpica ilumina Vitória do Espírito Santo

     














    Conta a lenda que Prometeu e seu irmão teriam a tarefa de povoar a terra, criando os homens e todos os animais que a habitariam. Para isso, receberam barro e uma quantidade de dons que seriam distribuídos entre as criaturas. Assim, eles criaram os animais, dando a cada um uma habilidade específica: asas para voar nas alturas, garras para segurar com firmeza, dentes afiados para lutar, carapaça para se proteger, capacidade de respirar dentro da água. Além disso distribuíram os dons: coragem, rapidez, força, sagacidade, determinação, perseverança, etc. Ao fim dos trabalhos, Prometeu pegou o resto de barro e fez uma última criatura: o homem. Ele olhou sua obra e ficou feliz com o que viu. Mas percebeu que não havia mais dons para aquele ser, e, sem asas, sem garras, sem carapaça, sem nada que lhe protegesse, ele ficaria muito frágil diante de todas as demais criaturas. Como fazer para que esse ser pudesse se destacar? Rapidamente Prometeu encontrou a resposta, e colocou em prática seu plano. Foi até o Olimpo, morada sagrada dos deuses, roubou o fogo dos deuses e o entregou aos homens. Dessa forma, os humanos tinham em si algo superior a todos os outros seres: tinham a chama do fogo de Héstia dentro de si.
     Os Jogos Olímpicos têm como objetivo revelar o potencial da chama de Héstia em nós. Os atletas, ao darem o seu máximo, voam sem ter asas, lutam sem ter garras, nadam sem ter guelras, mostram a potência do humano, lapidada com coragem, determinação, superação, e tantos outros atributos dignos dos deuses do Olimpo.
     A Chama Olímpica vai estar hoje aqui em Vitória. Vai brilhar em nossas ruas, sendo conduzida pelas mãos de atletas e de pessoas comuns. Porque somos todos humanos, e a chama sagrada brilha dentro de cada um de nós! Que a Chama Olímpica possa nos lembrar da nossa capacidade de brilhar, de fazer melhor, de ser mais, de superar os limites diários, de conquistar a vitória a cada dia. A Chama de Héstia nos convida a revelar, em palavras, em sentimentos, em ações, que somos filhos da Luz! A Chama passa de tocha em tocha, acendendo sem se apagar. Porque assim é com a luz: ilumina qualquer escuridão, se multiplica quando é dividida, ativa outras quando se aproxima, brilha forte e brilha sempre!

     Hoje a Tocha Olímpica, trazendo a chama que sempre brilha, vai estar nas ruas da nossa cidade. A Tocha Olímpica iluminando um lugar que se chama Vitória do Espírito Santo! Que a Luz que ela carrega possa ativar a Luz que há em nós. Essa é a mensagem da Tocha. Esse é o convite da Chama. Esse é o chamado Olímpico. Sejamos mais! Vamos vencer! Somos humanos com Luz! Vamos brilhar!

Esse texto foi escrito em homenagem aos amigos que vão conduzir a Chama Olímpica pelas ruas de Vitória: Neymara Carvalho, Pierre Almeida e Fábio Luiz. E, também, em homenagem a todas as pessoas que fazem do espírito olímpico uma forma de ser no mundo. Pessoas que vencem o grande jogo da Vida com dignidade, respeito e superação. 

domingo, 15 de maio de 2016

Uma noite encantada

     Eu vivi um momento mágico! Fui testemunha da força que emana de um grupo que tem sua voz reconhecida e legitimada. E pude perceber a potência que surge quando uma plateia vibra junto e faz ecoar os sonhos, os aprendizados e a mensagem que ouvem. Pessoas comuns conseguem, juntas, vibrando na mesma sintonia, transformar uma noite comum, em uma noite encantada. Foi isso o que aconteceu ontem à noite, na Barra do Jucu.

     
     No mesmo local, há 2 meses atrás, eu encontrei um grupo de adolescentes dispostos a participar do Projeto Torcida Sintonizada. Todos eles fazem parte da escola de body board do Instituto Neymara Carvalho, e estavam interessados em ouvir o que tínhamos para dizer. E ouviram as experiências de vida dos atletas capixabas, ouviram as narrativas dos colegas, ouviram as histórias que vibravam dentro deles mesmo, ouviram versos e rimas de músicos capixabas, ouviram aquilo que ecoava neles, ouviram os conselhos de como transformar sentimentos em voz e melodia. E, então, eles falaram. E, quando falaram, pudemos ouvir frases potentes, mensagens de fé e esperança, certezas mescladas com aprendizados. Eles transformaram sonhos, aprendizados e legados em um rap com acordes de reggae, e fizeram um hino.

   Um hino que foi apresentado no palco (da vida), durante um evento cultural na comunidade onde eles moram, para pessoas com as quais convivem. Subiram no palco, e fizeram história! Força, Foco e Fé! – era a mensagem que compartilhavam com a plateia. Força, Foco e Fé! – era o convite que faziam ao coração de cada pessoa que os ouvia naquele momento. Força, Foco e Fé – era a frase que ecoava de forma tão clara e potente, que virou uma só voz. Força, Foco e Fé – foi o que todos sentiram, presenciaram e puderam cantar naquela noite encantada.

     Eu vivi um momento mágico! Um momento em que pessoas comuns potencializam o seu melhor e transformam silêncio em som, distância em harmonia, sonhos em realidade. Saí desse encontro com uma certeza: se as pessoas podem transformar uma noite comum, em uma noite encantada, se as pessoas podem se unir em prol de construir histórias significativas e momentos transformadores, se as pessoas conseguem agir de forma voluntária e colaborativa com o intuito de confraternizar e produzir sentido, então ainda há esperança. Força, Foco e Fé!


Esse texto foi escrito em homenagem e reconhecimento ao trabalho em equipe realizado durante o Projeto Torcida Sintonizada. Um trabalho totalmente voluntário, e plenamente eficiente.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Gratidão

       Conectar pontos é uma arte! Uma arte que monta histórias de vida... Quando conectamos pontos significativos, temos uma história significativa. Quando conectamos pontos felizes, contamos uma história feliz. Quando conectamos pontos de superação, estamos diante de uma história de superação. Os pontos que conectamos revelam o tema da história... E toda história busca uma continuidade, uma forma de manter a narrativa acontecendo. Por isso é importante perceber quais pontos estamos conectando para contar nossa história.
       Sendo hoje o último dia de 2015, fica uma pergunta: quais pontos de 2015 você escolheu conectar?  Pois a sua história continua em 2016...
       Eu escolhi conectar pontos muito especiais. E o tema da história que decidi contar é Gratidão. Se você está lendo essa mensagem é porque você faz parte dessa história – e sou grata por isso. Grata por sua presença em minha vida, grata por sua participação nesse enredo, grata por me permitir contar uma história baseada em uma virtude que eu tanto prezo e admiro.
      Que 2016 possa trazer muitos pontos para você conectar. E que você possa conectá-los de tal forma que sua história fique cada vez mais plena e significativa.

       Em gratidão e harmonia, Adriana Müller. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Dia 12 de Outubro e suas Graças


Dia 12 de outubro é um dia especial, em vários aspectos. Explico.
      
      Hoje, aqui no Brasil, se comemora o dia da criança - de todas as crianças. Inclusive aquela que existe dentro de você, querendo sair para brincar, se divertir, ver a vida na sua mais bela simplicidade. Dia da criança que está ao seu lado, querendo o seu olhar, a sua mão, o seu convite para mais uma aventura. O dia está começando: deixe as crianças se encontrarem!
       A palavra criança tem a mesma origem da palavra criação e criatividade. Quando as crianças se encontram, nasce um ambiente de pura novidade, no qual muitas coisas são possíveis: virar pirata ou princesa, descobrir tesouros nas conchas do mar, colher poderes mágicos nas frutas do pomar, acreditar que sua bicicleta tem asas mesmo sem ter assistido ao filme ET.... Vamos manter a essência da criança – criar – em nós e com elas. Afinal, brincar e vínculo tem a mesma raiz – o que é autoexplicativo! Brinque, crie vínculos, crie, crianceie muito hoje! E amanhã. E nos próximos amanhãs também! Afinal, ser criança é acreditar no amanhã.
       Hoje, também, é dia de Nossa Senhora de Aparecida – padroeira do Brasil. Para os católicos, Nossa Senhora é um ser muito especial: aquela que cuida e intercede por nós junto ao Pai. Mas, penso que mesmo aqueles que não são católicos e, portanto, não acreditam em Nossa Senhora, reconhecem o poder da mãe. Mãe é quem ama, quem cuida e protege, quem acalenta, quem nutre, quem lê nossos pensamentos, quem está lá mesmo depois que se foi.... Mãe é quem pratica a maternagem no seu grau mais belo. O que, então, inclui o pai também! Porque maternar é cuidar, proteger, nutrir, acalentar... talvez os pais não saibam muito bem essa coisa de ‘ler pensamentos’, mas sabem estar presentes mesmo depois de ausentes.... Porque também sabem ‘maternar’. Assim, sendo você católico ou não, que esse dia seja um momento, também, de conexão com a beleza presente na força materna.
       E, como se não bastasse essa linda conexão e sincronia entre o dia da Mãe e o dia da Criança, descobri que, neste dia 12 de outubro de 2015, no Canadá, é dia de Ação de Graças. Dia de agradecer toda a colheita do ano, de agradecer as bênçãos recebidas, de agradecer as dádivas com as quais fomos presenteados. Dia de demonstrar nossa gratidão à vida por sua maternagem conosco, dia de deixar nossa criança interior se aconchegar nos braços acolhedores da Providência que sempre nos presenteia – e à qual somos gratos. Dia de agir em gratidão, em Ação de Graças.

       De uma única vez, três motivos para a gente fazer desse dia 12 de Outubro um momento muito especial. Por isso desejo que você viva hoje em sintonia com a Gratidão, com a Mãe e com a Criança. E, assim, seja muito feliz! 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Eu conheci um peregrino

       Eu conheci um peregrino. Não é todo mundo que tem a chance de viver um encontro destes. Por isso digo com certa dose de orgulho: eu conheci um peregrino.

    Não esbarrei nele por acaso. Uma neblina pesada atrapalhava a sua caminhada e ele estava confuso... Ele chegou cansado, eu diria até que chegou exausto. E me ensinou muito sobre a vida e o ato de peregrinar. Ele me ensinou a importância da estratégia em vários aspectos da vida. Me ensinou a olhar a beleza que existe em paisagens, em construções, nas pessoas, nos detalhes que escapam a um olhar desatento. Ele me ensinou que é possível desmontar o medo com frases e atitudes coerentes: certa vez, na praia, o medo veio lhe fazer companhia e lhe falar de coisas que ficaram para trás no tempo ou que eram fruto da imaginação (medos costumam ser muito criativos, apesar de pouco originais!). Pois o peregrino tentou desviar a atenção para a paisagem e a beleza que o rodeava naquele momento. Mas o medo não desistiu e o ameaçou de morte (ah! Trágica e mesquinha estratégia do medo...). Neste momento, o peregrino olhou o medo nos olhos e lhe disse com muita convicção: “pois veja que vou morrer admirando uma bela vista!”. Desarmou o medo. Destruiu a chantagem do medo. Soube resgatar a sua vida das mãos do medo: “me devolve a minha vida porque você não sabe cuidar dela! Eu sei fazer muito melhor!”.
     Mas, como eu dizia antes, quando o conheci, ele estava exausto. Sua caminhada tinha sido longa, por todos os continentes do planeta e quase todos os países que a humanidade conseguiu criar construindo fronteiras invisíveis (e, em alguns casos, bem visíveis!). Sua caminhada havia sido longa e desafiadora!  E começou cedo, muito cedo... Eu poderia até dizer que seu primeiro choro, ainda na maternidade, foi o nascer do peregrino; que seus primeiros passos  foram estimulados pela certeza de que caminhar era preciso; e que sua busca pela beleza nasceu da falta dela no olhar de quem olhava (ou deveria olhar) por ele. Pressionado desde sempre, o peregrino forjou sua alma e construiu sua fortaleza interior. Descobriu virtudes que lhe servem de bússola – honestidade, amizade, estratégia, determinação, meta, beleza, persistência, entre tantas outras – e virtudes que luta para que sejam mais do que belas palavras – respeito, cuidado, carinho, família, afeto...
     Uma força interior o impulsiona a seguir, como se lhe dissesse o tempo todo: “Vá em frente! Vá, enfrente!”. E assim ele fez: seguiu em frente, enfrentando desafios os mais diversos e descansando em lugares os mais variados. Peregrino que é, andou muito em busca de respostas... Andou, andou, andou e chegou naquele ponto da jornada que os peregrinos conhecem bem: o momento de ouvir o seu coração. Não mais ser guiado pela lógica ou pelo impulso de seguir em frente, mas poder ouvir seu coração.
     Foi neste momento que conheci o peregrino. Seu coração falava alto, gritava, chorava, queria ser ouvido. Contava histórias de passados distantes e sonhos de futuros incertos. Mostrava suas feridas – e como elas doíam! E apontava com desconfiança para o medo – esse infeliz parasita que insistia em caminhar ao lado do peregrino e atrasar a sua jornada.
    Seria o peregrino capaz de lidar com tantas coisas ao mesmo tempo? Nem ele mesmo sabia. Mas, aquele que nasce peregrino, tem espírito livre e a alma cheia de horizontes. Logo ele se recuperou, ouviu seu coração, cicatrizou as feridas, retomou sua força, protegeu seu coração, deixou de lado as histórias que pesavam e levou somente aquelas que são essenciais – as que são leves e simples. Respirou fundo, planejou sua jornada, levantou-se. Já não estava frágil, nem exausto. Estava renovado, renascido. Era ainda um peregrino, mas em novo estágio de vida: um peregrino que sabe ouvir seu coração. Um peregrino que equilibra ação e emoção. Podia seguir viagem.
     E, quando a neblina passou, o caminho voltou a se abrir à sua frente. Despediu-se daqueles que ele ama. Despiu-se daquilo que não mais lhe serve. Envolveu-se de leveza e projetos. E seguiu o seu caminho.

    Quando voltarei a vê-lo? Só o tempo sabe... Por hora, sinto-me grata à vida por ter-me dado a chance de conhecer um peregrino – e aprender com ele. E, envolvida em gratidão, vou tecendo a esperança de que ele continue construindo sua história como sempre fez: com ética e estética.

Este texto é uma homenagem a um amigo peregrino - Flávio Correa. E, também, uma homenagem aos meus tantos amigos peregrinos que têm o espírito livre e a alma cheia de horizontes Eles e elas andam pelo mundo porque sabem que a vida é uma jornada e que os encontros são sempre um presente. Bom caminho, peregrinos!